Saí do trabalho e fui tomar umas, umas cervejas, umas doses, umas tiradas.
Cheguei em casa embriagada de vida, de cor, de sabor, de risada, de cheiros e sentimentos.
Por onde andei eu olhei e vi pessoas que eu não compreendi, pessoas que eu não conheci, pessoas que eu não reconheci, pessoas que me falaram algo e eu não entendi.
Cheguei em casa e tomei um banho, peguei uma xícara de café um lápis e um papel, ascendi um cigarro e comecei a escrever, comecei a ficar sóbria, comecei a ficar sombria.
Olhei-me no espelho e me vi de maquiagem borrada, de cabelo desgrenhado, de cara inchada e resolvi que precisava tomar umas, abri a geladeira e lá o que tinha? Vazio.
Abri a dispensa e o que tinha? Vazio.
Abri o armário e...? Vazio.
Peguei as chaves de casa e sai a procura de algo pra comer ou algo pra beber, andei até cansar e o que encontrei foram ruas vazias, as lojas de conveniência vazias, tudo em preto, tudo apagado.
Voltei pra casa e percebi que ainda estava embriagada, só que dessa vez eu me embriaguei de tristeza, de medo, de solidão.
Acho que desmaiei ou acordei, passei a olhar tudo do alto, entrei em coma.
Me perdi no meu silêncio, no meu vazio constante, me perdi num abismo de mim.
No vazio ecoando entre paredes de medo eu reprimi tudo o que me levasse de volta a vida,
No vazio ecoando entre paredes de medo eu reprimi tudo o que me levasse de volta a vida,
acho que me acomodei a esse vazio,porque esse vazio sou eu!
